Dom Antônio dos Santos Cabral chega a Belo Horizonte, em 30 de abril de 1922, para instalar a diocese da Capital, criada em 11 de fevereiro de 1921, pelo Papa Bento XV. Entre suas muitas tarefas, na capital nova e na diocese nova, o desafio de construir a Catedral. A cidade contava apenas com três igrejas: São José, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora do Rosário. Ele escolheu a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na sua nova edificação, para ser a CATEDRAL PROVISÓRIA. A realização do Congresso Eucarístico Nacional, em 1936, na Capital Mineira, motiva Dom Cabral no empreendimento do sonho de construir a CATEDRAL CRISTO REI, a ser localizada na atual Praça Milton Campos, no alto da Avenida Afonso Pena, onde foi iniciada a sua construção pela cripta, num projeto arrojado, uma réplica da Basílica de São Pedro, em Roma, coincidindo com a previsão feita pelo urbanista Aarão Reis, quando do planejamento da primeira cidade planejada no Brasil. Desafios e percalços, circunstâncias e dificuldades, necessidades e urgências adiaram por décadas esse grande sonho.
2004: o tempo novo do Terceiro Milênio
O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, já no início
de seu pastoreio, começou a ouvir perguntas sobre um projeto definitivo de Catedral em Belo
Horizonte. A escuta de muitos, a retomada da história, o exame das condições urbanísticas da
região metropolitana da capital mineira, e o desafio de pensar o sentido mais genuíno e próprio
de uma Catedral, lugar da espiritualidade, da cultura e da educação, da arte e do cuidado com os
pobres, do pensamento e do diálogo indicaram que um projeto assim só valeria a pena se fosse
edificado num lugar que marcasse o epicentro dessa promissora realidade urbana.
2005: a coragem de retomar um projeto
Dois anos de reflexões comedidas e de ponderações. A conclusão de que um projeto assim só poderia ter lugar na Avenida
Cristiano Machado, em frente à estação do Metrô Vilarinho, epicentro geográfico em se considerando o adensamento populacional
de uma Arquidiocese de cinco milhões de habitantes. Ainda em tempo, antes dos grandes projetos que impulsionam rápidos
avanços e desenvolvimentos no vetor norte da região metropolitana, aconteceu a aquisição de um importante terreno. O lugar fez
vislumbrar um projeto pensado por um arrojado arquiteto. Oscar Niemeyer era o nome, na mesma cidade onde iniciou sua carreira
e marcou a sua e a história da capital mineira com obras arquitetônicas de relevo. Um pedido lhe foi feito.
Um prazo foi pedido para pensar. Mais tarde, uma resposta.
Em novembro de 2005, o arcebispo viaja sozinho ao Rio de Janeiro e encontra-se com Niemeyer, quando solicita uma concepção
arquitetônica da Catedral Cristo Rei. Envolvido nesse sonho, especialmente pela forte presença no urbanismo da capital mineira e
pela genialidade, Niemeyer abraça com entusiasmo a missão. Ele revela a intenção de entregar o projeto em três meses, mas o
trabalho o absorve e ele se dedica durante seis meses a criar as formas de uma catedral definitiva para Belo Horizonte.
2006: o nascimento de um projeto para realizar um sonho
Em maio de 2006, Oscar Niemeyer oferece uma magnífica e arrojada ideia para o projeto da Catedral. A ideia
começa a ser compartilhada, discutida, desafiando a todos no engajamento desse projeto. Um projeto grande e
importante exige tempo para avaliações e ponderações de segmentos internos na Igreja, clero, evangelizadores,
e na sociedade pluralista seus construtores, governantes e formadores de opinião. 2007... 2008... 2009...
2010: a audácia de um passo para servir mais e melhor
Em setembro de 2010, Dom Walmor reúne-se com Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro, para a assinatura do contrato
referente aos projetos do Conjunto Arquitetônico da Catedral Cristo Rei. No encontro, marcado pela harmonia e
convergência de ideias, o arquiteto e o arcebispo, junto com a equipe técnica, trocam observações sobre o sistema
estrutural do projeto e as soluções pretendidas para a consecução.
A Igreja Católica tem presença na história, com serviços indispensáveis na edificação da sociedade,
na fidelidade a valores do Evangelho que anuncia.
As linhas que desenham a concepção da Catedral Cristo Rei inspiram contemplação e merecem reflexões
que iluminam o caminho deste tempo do Terceiro Milênio.